ConvExit

 

É com algum espanto que assisto a um fenómeno recorrente no que ao turismo nabantino diz respeito.

A reconhecida e frequente azáfama de transportes públicos (e também privados) que se regista no convento, refletem-se através dos números que registam esse mesmo fluxo de visitantes. Sendo que, desta forma, há que reconhecer o Convento de Cristo como o quarto monumento mais visitado de Portugal, com cerca de 254 mil entradas só no ano passado, superando até monumentos como o Mosteiro de Alcobaça e o Panteão Nacional.
A realidade é que esta “corrente” de visitas tem ainda tendência para aumentar, segundo certos estudos da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), demonstrando que, nos últimos 5 anos, o monumento templário aumentou para cerca de 64% o número de entradas vendidas, o que reflete, á partida, um saudável índice turístico para o concelho.

Contudo, é com um certo espanto que assisto a esse mesmo fator positivo, uma vez que não encontro, a meu parecer, qualquer “ponte” que ligue este monumento ao restante turismo urbano da cidade. Sendo que, o grande movimento envolvente do Convento não se transmite para a cidade de Tomar que, desta forma, acaba por perder um pouco do seu verdadeiro realce.
A complexidade de movimentos envolvendo a avenida Dr. Vieira Guimarães, nasce e morre nessa mesma subida, a maioria dos 254mil visitantes, conhece o Convento sem nunca chegar a ver o nabão.

Quase como um “ConvExit”, parecendo que esse símbolo templário se quer afastar da restante cidade em termos de turismo.

Esse “afastamento” deve ser refletido por parte da população mas, principalmente, pelas entidades competentes, sendo necessário compreender que cabe a todos nós, Nabantinos, tentar promover e procurar criar uma maior expansão do espaço turístico da cidade.

A cidade templária é dona de tremendos encantos e fascínios que facilmente captam a atenção de qualquer turista e com o enfraquecimento do fulgor fabril de outros tempos, é no turismo que o comércio da cidade encontra refúgio.

Através de protocolos ou de melhor articulação de transportes públicos, seria possível absorver melhor esse turismo e distribuir as suas vantagens por todo o concelho e não apenas no convento de Cristo.

 

Afonso Valente de Brito

Vice-presidente da JSD Tomar