O Geocaching e o Executivo da Câmara Municipal de Tomar

Para os menos familiarizados com o conceito, Geocaching é um desporto/jogo/atividade/passatempo, a classificação varia de pessoa para pessoa, no qual os Geocachers, através do recurso a um aparelho GPS e às respetivas coordenadas, procuram uma Geocache, que mais não é do que uma pequena caixa, que comporta objetos e uma listagem daqueles que já a descobriram. Para mim, o Geocaching é um verdadeiro desporto, uma caça ao tesouro, uma procura naturalista pelo Santo Gral que alimentará todo o meu ego de conquistador, à imagem dos Navegadores portugueses.

O Leitor estará neste momento perdido, não compreendo os contornos da analogia que pretendo estabelecer, mas eu ajudo. Com este texto pretendo demonstrar-lhe em como a minha primeira “caçada” se identifica profundamente com estes primeiros 6 meses de “Mudança”.

Assim, nada melhor do que começar a minha prática desportiva na nossa bela Mata Nacional dos Sete Montes, que para além da sua beleza natural, comporta um número elevado de Geocaches. Vesti-me a rigor, anunciei aos sete ventos essa minha intenção, agarrei no meu smatphone, com a aplicação do Geocaching e um extenso número de outros objetos, e passei a minha tarde em exames ao parque. Até aqui tudo bem.

Assim é o mandato do atual executivo, cansado, vazio, nada produtivo, nada inovador e cujas mudanças proclamadas em nada melhoraram a cidade e o concelho

Por sua vez, num percurso em tudo similar, a Dra. Anabela Freitas, candidatou-se à Câmara Municipal de Tomar, debaixo da insígnia da Mudança e venceu as eleições, com toda a legitimidade que a diferença de 281 votos lhe confere. Tal como eu me muni das ferramentas indispensáveis à prática do Geocaching, a agora Senhora Presidente juntou-se aos melhores – não sou eu que o digo, são as suas escolhas e os reflexos da sua governação – partindo ambos em busca do nosso Santo Gral. Nessa lista de instrumentos, destaco a sua posterior união com o candidato da PCP-PEV, que na minha opinião coloca a Senhora Presidência em vantagem – como se fosse o cromo brilhante de uma caderneta de cromos ou um nitro numa corrida de automóveis. Mas eu permito-lhe essa vantagem, avante camaradas!

Por esta altura o leitor estará ainda mais confuso a respeito dessa analogia, mas procurarei ser breve. Assim, apesar de estamos perante realidades aparentemente contraditórias, a minha primeira experiência enquanto Geocacher e a primeira experiência da Dra. Anabela Freitas enquanto presidente de Câmara Municipal de Tomar são em tudo idênticas. Vejamos então:

  • Ambos ocupamos o nosso tempo com atividades para as quais não demonstramos qualquer tipo de preparação, com a diferença de que para mim é um hobby e para a Senhora Presidente é a sua fonte de rendimento;
  • Ambos nos rodeamos daquilo que pensávamos indispensável, dos nossos instrumentos, ferramentas e até dos produtos mais verdes, que pensávamos que nos levariam a bom porto. Devo ressalvar mais uma vez o facto da Senhora Presidente não estar sozinha nessa busca, aliás coligada, contrariamente a mim, que numa lógica de navegador entrei pelos caminhos mais rocambolescos da Mata Nacional;
  • Nessa tarde de primavera, reparei na ausência de andorinhas e outros voadores, coisa anormal nesta época do ano. Mas aí encontro mais um paralelo com a caminhada da Dra. Anabela Freitas, que fez o Festival das Estátuas Vivas desaparecer, provavelmente migrar para outra zona do país, sem que nada tivesse feito para o evitar;
  • Nesse banho de natureza, dei por mim a precisar de um local fresco e arejado para me sentar e descansar um pouco, o que infelizmente não encontrei. Na nossa cidade, por decisão da Senhora Presidente acontecerá o mesmo, impossibilitados os condutores de estacionar os seus carros;
  • Quando cheguei a casa, depois desse dia cansativo, o único elo positivo terá sido o passeio, a caminhada, visto que cheguei cansado e esfomeado, tal como o meu smatphone e, contabilizações feitas, 0 (zero) caixinhas! Assim é o mandato do atual executivo, cansado, vazio, nada produtivo, nada inovador e cujas mudanças proclamadas em nada melhoraram a cidade e o concelho;

Outras similitudes poderia identificar, mas o texto já vai longo e penso que o leitor já compreendeu a ideia. Assim, destaco uma diferença essencial, enquanto eu caminhava pela Mata dos Sete Montes, respeitei o património existente, apanhei lixo do chão, desloquei pequenos troncos dos caminhos entre outras pequenas boas ações, contrariamente à Senhora Presidente, que ignora o passado e apenas tem destruído o que de bom foi feito nesta cidade ao longo dos seus vários séculos de história.

O atual executivo (…) tem vindo a destruir o que de bom existe, o que de melhor tem sido feito e, não digo apenas pelos anteriores executivos, mas pelas gentes, pelos empresários, pelos jovens

Concluindo, o atual executivo caminha em busca do seu Santo Gral, ou Templário, se preferirmos a referência à nova unidade monetária tomarense (estará Tomar a caminho da saída do Euro?), tem vindo a destruir o que de bom existe, o que de melhor tem sido feito e, não digo apenas pelos anteriores executivos, mas pelas gentes, pelos empresários, pelos jovens. Assim, faça como eu, respeite a natureza, não se faça acompanhar de pequenos instrumentos, mas antes de gente capaz e procure proteger o património existente, pois caso contrário o insucesso é garantido, tal qual a minha primeira experiencia de Geocaching.

PS: Quando me deslocava para a saída do parque, vi um homem a limpar e cuidar da Mata, por estranho que pareça senti um misto de emoções – a alegria, por sentir que ainda algo é feito pela preservação da natureza e a dúvida, já que após breves palavras trocadas, percebi que não era Nabantino. Ainda hoje me pergunto, será que em Tomar não existem pessoas preocupadas com a preservação da natureza, ou será que no futuro seremos apenas paisagem, ou deserto (aplicando as considerações do Ministro jamais).

António Bonet Vieira

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