Representação Portuguesa ao mais alto nível

Portugal, um país pequeno, o 109º maior em termos de área, o 86º em termos populacionais e 46º maior PIB nominal do mundo. Mas isto não impediu desde cedo de partir à aventura e à descoberta de terras e caminhos desconhecidos, dando outros mundos ao mundo e dando início a tão famosa globalização. Talvez seja isso, que ainda hoje esteja presente em nós, esse espírito de sacrifício, como disse Pessoa “Ó mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal!/Por te cruzarmos, quantas mães choraram,/Quantos filhos em vão rezaram!”. Possivelmente é este sofrimento e resiliência que faz dos portugueses um povo forte e lutador, e apesar da sua dimensão, com representantes ao mais alto nível em diferentes áreas.

Olhando para a diplomacia europeia e mundial facilmente descobrimos exemplos como Durão Barroso que foi líder de uma Europa em profunda crise, ou Jorge Sampaio, que foi Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações e Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para a Luta Contra a Tuberculose.

Em breve teremos um português na posição mais alta da diplomacia mundial, como Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, organização da qual fazem parte 193 países e dois observadores e que tem como principal objetivo a promoção da paz no mundo. Trata-se de António Guterres, uma figura simples, com grande sucesso e rigor académico, que tem ocupado a sua vida recente na ajuda ao próximo. Entre 2005 e 2015, ocupou o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, onde trabalhou com uma equipa de cerca de dez mil pessoas em 125 países. Teve, ainda, a oportunidade de reformar a estrutura desta mesma organização aumentando a eficácia e a capacidade de resposta de emergência através de cortes na sua sede em Genebra – através da sua ação, o gabinete pelo qual foi responsável, triplicou a sua atividade.

Tudo isto levou a que por unanimidade, por aclamação, o Conselho de Segurança da Organizações das Nações Unidas propusesse o nome de António Guterres para o mais alto cargo da diplomacia mundial, mostrando assim que candidaturas de última hora apoiadas por grandes figuras nem sempre resultam. Agora, apenas falta a última fase, a eleição perante o órgão máximo da ONU, a sua assembleia, que certamente respeitará a indicação do conselho de segurança, ficando nós com a certeza que quem ficou a ganhar com isto foi o mundo e a sua segurança.

Os próximos anos não serão fáceis. Conseguirá o novo SG melhorar as relações entre os Estados Unidos e a Rússia? E que fará relativamente à Coreia do Norte e ao perigo que este país representa para o mundo? A guerra na Síria, a relação Israelo-árabe e a crise dos refugiados do médio-oriente são outros grandes problemas a que Guterres e a sua equipa terão de dar resposta. Apesar de todas as adversidades, estou certo de que António Guterres estará à altura do desafio.

Vivam os portugueses!

Ricardo Carlos

Secretário-Geral da JSD Tomar

*redigido a 9 de Outubro de 2016

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